Municípios do Vale do Paraíba não se preparam para receber bem o turismo rodoviário
Muitas cidades do Vale do Paraíba querem receber turistas, porém, não dispõem de infraestrutura necessária para receber os veículos de fretamento que prestam serviços de turismo rodoviário. Outras, como é o caso de Campos do Jordão, criam restrições aos coletivos e privilegiam o transporte individual.
TRANSPORTES / TURISMO
Municípios do vale do paraÍBA não se preparam para receber BEM o turismo rodoviário
A estação mais fria do ano inspira viagens aconchegantes e temporadas em locais aprazíveis como, por exemplo, a cidade de Campos do Jordão, no Vale do Paraíba. A estância oferece pousadas e hotéis, vasta opção gastronômica, moderno centro de compras, além de importantes eventos como o tradicional Festival Internacional de Inverno.
O turismo rodoviário é uma alternativa bastante econômica e confortável para conhecer tais locais. No interior do Estado de São Paulo é usual a prática dessa modalidade de transporte coletivo, daí a importância de se ter uma infraestrutura apropriada para esses veículos. Ainda assim, muitos municípios e empreendimentos turísticos não se preparam para receber o turista que chega de ônibus.
Veja o caso de Campos do Jordão: para ingresso de veículos turísticos na cidade, a municipalidade exige um pedido de autorização prévia com 15 dias de antecedência. Se os turistas não estiverem hospedados em hotéis da região, a Prefeitura requer a contratação de um guia de turismo local, cuja diária varia de R$ 100 a R$ 150. No mês de julho há limitação de autorização para ingresso de apenas 120 ônibus por dia.
Ainda assim, em feriados prolongados e nos finais de semana, se a quantidade de automóveis em circulação pela cidade acarretar congestionamentos, somente são liberados os veículos que tiverem acompanhamento de guias turísticos credenciados, os demais ficam estacionados no pátio ao lado do Portal da Cidade. No inverno, a liberação dos ônibus de turismo ocorre apenas das 6h às 9h. Os que chegarem após esse horário devem desembarcar seus passageiros ao lado de fora do Portal, de onde serão transportados até o Capivari (centro da cidade) por vans turísticas ou ônibus circular regulamentados pela Prefeitura.
Ao atingir a entrada da estância turística, cada ônibus precisa preencher uma ficha de cadastro. Aí então recebe uma classificação por letras indicativas para adentrar à cidade. Essa placa de identificação deve ser colocada no pára-brisa do veículo e, havendo necessidade, há o destacamento de um guia para conduzir os turistas em roteiros pela cidade. Esses recebem a letra “R”, de Roteiro, e não podem sair da rota pré-estabelecida pela Prefeitura. Os que não forem circular na cidade e apenas quiserem desembarcar os passageiros nas proximidades do Capivari, terão a placa “P”, voltando imediatamente para o Portal. Os que não forem sequer entrar na cidade, recebem a letra “X” e ficarão estacionados ao lado da entrada de Campos de Jordão.
Já os veículos transportando turistas que vêm de ônibus e se hospedam nos hotéis da cidade recebem a letra “H”. Para esses é facultativa a contratação do guia de turismo credenciado pelo Ministério do Turismo. Aqueles que chegarem para visitas técnicas, escolas em geral, entidades religiosas, empresas e congressos, são identificados pela letra “T”.
Segundo Marcos Lacerda, presidente do SINFREVALE - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento da Região do Vale do Paraíba, o turismo rodoviário poderia crescer 15% a 20% a mais em vendas, não fossem as exigências impostas pelos municípios. Para ele, investir na qualidade e na segurança dos serviços turísticos é essencial para aumentar o fluxo de turistas e gerar mais oportunidades de negócios na região.
Outro problema comum é a péssima condição das estradas. “As empresas transportadoras turísticas têm capacidade técnica e econômica, serviços de logística e de apoio para garantir eficiência, rapidez e segurança aos passageiros. O fato é que, para crescer como merece, o turismo rodoviário sofre com a falta de vias de acesso confiáveis. Uma exceção é a SP123 - Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro”, reforça Lacerda.
Transportadoras também se preparam
As transportadoras turísticas autorizadas dispõem de infraestrutura própria, como oficina de manutenção, borracharia, funilaria, lubrificação, abastecimento e lavagem de veículos, treinamento para mão-de-obra especializada, além de setores de atendimento ao consumidor e plantão 24 horas com equipe técnica e frota reserva. Uma rede conveniada (RAFE – Rede de Apoio ao Fretamento Eventual) garante o pronto-atendimento em várias localidades do Estado.
O serviço de ônibus de fretamento regulamentado atende a todas as exigências legais e garante o transporte seguro aos grupos de passageiros a preços competitivos. Na hora de contratar, o SINFREVALE recomenda atenção ao valor da prestação dos serviços: “se o preço for muito abaixo da média de mercado, pode indicar que a empresa não está devidamente regulamentada ou não atende aos requisitos básicos de segurança”, adverte. “Para isto, dispomos de um telefone para melhor orientar ao usuário – 0800 77 20 60”, informa o diretor.
O presidente lembra que para um transporte seguro e qualidade, a transportadora turística deve ser certificada pelos seguintes órgãos reguladores: Ministério do Turismo (viagens turísticas) ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres (viagens interestaduais e internacionais); Artesp – Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transportes do Estado de São Paulo (viagens intermunicipais e estaduais); Secretarias Municipais de Transporte ou órgãos equivalentes em outras regiões.
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SINFREVALE
Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento da Região do Vale do Paraíba
Fundado em 1990, o SINFREVALE - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento da Região do Vale do Paraíba tem como base territorial todo o Vale do Paraíba e Litoral Norte do Estado de São Paulo. A prioridade do sindicato é a prestação de serviços às empresas associadas, representando-as junto à FRESP, às entidades de classe, e nos órgãos públicos das instâncias federal, estadual e municipal.
FRESP (www.fresp.org.br) Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo.
Entidade sindical de grau superior, a FRESP foi criada em 1994, com o objetivo de agrupar, representar, coordenar, proteger e estimular o aprimoramento das atividades de transporte de passageiros por fretamento.
A FRESP congrega 7 sindicatos regionais, que por sua vez têm 380 empresas associadas. São eles: SETFRET - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento de Sorocaba e Região; SINFRECAR - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento de Campinas e Região; SINFREPASS - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento de Ribeirão Preto; SINFRESAN - Sindicato das Empresas de Passageiros por Fretamento de Santos; SINFRET - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo; SINFREVALE - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento da Região do Vale do Paraíba e TRANSFRETUR - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e Turismo de São Paulo.
No Estado de São Paulo existem 15 mil veículos de fretamento e. gera 30 mil empregos diretos e 60 mil indiretos. O setor movimentou em 2009 cerca de R$ 2,82 bilhões. No Brasil 4.900 empresas de fretamento são cadastradas junto à ANTT para viagens interestaduais e internacionais.
Julho 2010- Jornalista responsável: Clarice Pereira (MTb 15.778) <29/07/2010 22:04:03>
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Divulgação - Para a entrada de veículos turísticos em Campos do Jordão é necessário autorização prévia e a contratação de guias, além de restrição de horários de circulação. |
Notas - Copa 2014: |
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